sábado, 14 de novembro de 2015

Mousse de camarão

Ingredientes:

1,5-2 kg de camarão, 
3 colheres de sopa de azeite, 
1 cebola, 
1 cenoura, 
1 alho francês, 
1 cálice de aguardente, 
1 cálice de moscatel ou de Madeira bual (meio doce), 
3 colheres de sopa de molho ketchup, 
2 xicaras de maionese, 
2oo ml de nata, gelatina, 
1 folha de louro,
uma ramo pequeno de salsa, sal, pimenta e piripiri ou pimenta da Caiena.

Preparo:

Fazer uma mirepoix (estufado em azeite de legumes picados) de cebola, cenoura e alho francês, com louro e salsa, até ficar tudo muito mole. Flamejar com aguardente e juntar o camarão cozido, descascado, ou outro marisco, deixando ferver durante alguns minutos. Picar no moinho o camarão e a mirepoix. Juntar béchamel grosso, feito com leite e a água de cozer
o camarão em que se moeu uma porção das cascas e cabeças (coar depois). Temperar com pimenta, piripiri, ketchup e moscatel ou Madeira. Juntar a nata, a maionese e a gelatina derretida e deixar solidificar, numa forma. Desenformar e servir decorado com camarões inteiros e um ramo de salsa e acompanhado de uma salada. Antes de deitar a mistura na forma, pode-se também cobrir o fundo e os lados da forma com rodelas de ovo cozido.
Também adapto frequentemente esta receita a atum ou salmão, usando caldo de peixe com legumes em vez do caldo de marisco.

Creme Indiano


Ingredientes:
02 colheres de sopa de manteiga
01 cebola em brunoise
300 g de camarão pequeno limpo
500 g de baroa cozida
½ garrafa de leite de coco
½ lata de creme de leite
Sal a gosto
Pimenta do reino a gosto
Curry a gosto
Salsinha repicada
01 dose de conhaque

Preparo:
Temperar o camarão com sal e pimenta do reino. Refogar ½ cebola em 01 col. Sopa manteiga.
Acrescentar o camarão temperado e deixar cozinhar. Flambar com conhaque. Reservar. Bater a baroa cozida no liquidificador com o leite de coco. Refogar ½ cebola em 01 colher sopa de manteiga e colocar a baroa batida com leite de coco. Temperar com curry a gosto e sal a gosto. Juntar ½ lata de
creme de leite e finalizar com os camarões e salsinha repicada.

Cupim Bandido

Ingredientes:

400g de cupim semi-defumado, cortado em cubos.
6 cebolas
5 colheres grandes de pimenta biquinho
2 conchas grandes de extrato de tomate
300g de molho escuro
500ml azeite
3 litros de água
Cebolinha a gosto
Sal a gosto
Molho Agridoce de Pimenta Biquinho e Alho
Ingredientes:
100g biquinho
200g alho
1/2 copo americano de shoyo
Água em quantidade suficiente

Preparo:

Modo de Preparo da Carne
Picar as cebolas em cubos, refogar no azeite, em seguida a pimenta biquinho picada, e refogar por mais 3 minutos. Adicionar o extrato e o molho escuro já diluído, e por final a cebolinha picada e sal a gosto.

Modo de Preparo do Molho
Acrescentar em uma panela, aos poucos, água, molho shoyo, pimenta biquinho e alhos inteiros. Deixar cozinhar até o alho ficar mole.

Escondidinho de sereno




Ingredientes:

500g de carne de sereno dessalgada
250g de mandioca cozida em água com sal e leite (4 por 1) e uma pitada de açafrão.
2 colheres de margarina
½ xícara de creme de leite
¼ xícara de parmesão ralado
¼ xícara de mussarela ralada
salsa picada

Preparo:

Frite a carne em manteiga clarificada (reseve).
Faça um purê com a mandioca, a margarina, o creme de leite e o queijo parmesão.
Coloque a carne num refratário e cubra com o purê. Espalhe a mussarela por cima, decore com a
salsinha. Leve ao forno para gratinar.
Sirva com molho o “molho de pimenta com manga” preparado pelo Chef Túlio

Dobradinha com Polenta




Ingredientes:

01 kg de dobradinha
01 xícara de vinho branco
01 xícara de azeite
Açafrão
Orégano
Alho
Pimenta-do-Reino
01 cenoura
01 cebola
01 salsão
100 gr de bacon com paio (fritos)
Molho de tomate
150 gr de milharina
500ml de caldo de carne
100 gr de parmesão
Sal a gosto


Preparo:

Limpar bem a dobradinha e temperá-la com açafrão, orégano, vinho e o alho. Reservar. Refogar em
uma panela o salsão, a cebola e a cenoura no azeite. Acrescentar a dobradinha, depois por o molho de tomate, o bacon e servir com a polenta.

Polenta 
Refogar o alho e a cebola e molhar com o caldo de carne, deixar ferver e acrescentar a milharina aos poucos. Retirar o tempero e colocar o parmesão ralado.

Dietas radicais não são indicadas para perder peso

Dentre as dicas para perder peso com saúde e ganhar tônus muscular estão beber muita água, execícios físicos regulares e alimentação saudável


dieta do Mediterrâneo
Novo de novo. Na ideia da cozinha eficiente, o importante é reaproveitar restos de frutas e legumes



Com a chegada da primavera e a entrada no mês de outubro, muita gente começa a se preocupar com os quilinhos extras que deseja perder para o verão. No entanto, segundo especialistas, dietas radicais não são indicadas e o excesso de exercícios físicos podem causar lesões. Dentre as dicas para perder peso com saúde e ganhar tônus muscular, além de se preparar para a estação mais quente do ano estão: beber muita água, execícios físicos regulares e alimentação saudável.
Acivan Lopes, profissional de educação física e personal trainer em Brasília, conta que já viu muitas pessoas fazendo loucuras para perder peso rapidamente. “Lembro de uma garota que só comia biscoito de água e sal e bebia água. Ela vivia desmaiando na academia!”.
Entre as loucuras cometidas em busca do corpo perfeito, algumas pessoas ingerem medicamentos para emagrecer – sem qualquer orientação ou prescrição médica – e fazem uso de anabolizantes para ganhar músculos em tempo recorde. “Essas práticas podem até levar ao óbito. E há também aquelas (pessoas) que a vida toda foram sedentárias e que em dois meses querem transformar o corpo e o 'estilo de vida', querem malhar como verdadeiros atletas, sem a orientação de um profissional especializado”, conta Mário Villas Boas, presidente da Associação Brasileira de Academias - ACAD Brasil.
Mário afirma que não há milagre quando o assunto é emagrecer. “A expressão em pouco tempo pode ser muito perigosa, pois historicamente um número expressivo de pessoas lança mão de práticas nada saudáveis para emagrecer ou ganhar músculos rapidamente”, disse.
Acivan afirma que o ganho de massa muscular ou a redução de gordura corporal só é possível quando existe uma combinação entre o treinamento, o descanso e a alimentação. “Quando um destes fatores não está adequado, sem dúvida o processo de hipertrofia (aumento da massa muscular) ou emagrecimento será prejudicado”, explica.
Ou seja, para estar bem fisicamente durante o verão, não é recomendado que as pessoas comecem dietas radicais, passem dias sem comer, se alimentem apenas de sucos ou exagerem nos exercícios. Quem não conhece alguém que já fez um regime maluco? E as dietas que surgem e viram moda?
Tem a dieta da sopa, da proteína, do vinagre, das 600 calorias, dos alimentos crus... Tem até a dieta do alfabeto, aquela que no primeiro dia você só come alimentos que começam com a letra 'a'; no segundo dia, com a letra 'b'; e assim por diante. O lado bom é que ela dura apenas 23 dias!
O que os profissionais da saúde recomendam é que, sempre antes de começar qualquer processo de emagrecimento ou de tonificação muscular, as pessoas devem procurar orientação profissional. “Essa orientação deve ser com endocrinologista, nutricionista - dependendo das necessidades de cada um - e profissional de Educação Física. Alimentação saudável e prática de atividade física regular e sob a orientação profissional são as dicas mais eficazes, ainda que possam demorar um pouco mais do que um só verão para se chegar ao resultado desejado”, afirmou Mário.
Além destes profissionais, também é indicado que se faça uma avaliação geral junto a um cardiologista, que costuma solicitar um teste ergométrico. “Esse teste é altamente recomendável e ajuda o praticante de atividade a acompanhar seu estado físico, sua condição para malhar, mostrando a frequência cardíaca ideal para os exercícios e contribuindo para que as metas sejam traçadas”, disse Mário.
Acivan alerta para o risco de se fazer atividades intensas e não adequadas ao condicionamento físico, à estrutura muscular e às articulações de cada um. “Muitas pessoas buscam treinos de famosos na internet, de gente que têm uma outra estrutura física; ou treinam com séries antigas que em algum momento da sua vida tinha dado resultado, não levando em conta que a vida delas não é a mesma. Há vários fatores como idade, estresse e comportamento que mudam ao longo dos anos, podendo ocasionar lesões e até mesmo uma fadiga extrema do corpo”, explica.
Para emagrecer e ganhar tônus muscular até o verão, o personal recomenda um projeto de 3 meses, associando musculação e atividades aeróbicas para que seja estimulante para o aluno. “Aumentando a intensidade ou os métodos entre quatro a cinco semanas, eu garanto que o aluno terá um resultado parcial e visual da melhora do seu corpo, começando com condicionamento físico, oxigenação muscular, melhora postural e diminuição do percentual de gordura”, afirma.
Mário conta que a ACAD fez, há dois anos, um levantamento com mais de 2 mil academias no Brasil sobre o aumento do movimento nos meses que antecedem o verão. O resultado apontou um crescimento (de novos clientes ou daqueles que retornaram) de até 30%, sendo maior em cidades como Rio de Janeiro e Florianópolis, e outras regiões de praia.
As mudanças no corpo não aparecem do dia para a noite. É com o passar dos meses que os resultados se tornam permanentes e o aluno ganha em estrutura muscular e qualidade de vida. Além da prática de exercícios físicos, é fundamental beber bastante água e ingerir comidas leves, frutas e fibras, pelo menos a cada três horas.
Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Proteste), a obesidade já é uma epidemia mundial. No Brasil, quase metade da população (48%) está acima do peso e 15% são considerados obesos. A mudança de hábitos é muito importante para a forma física mas também para a saúde mental.



Imposto pesa sobre vinho nacional e alivia importados

Produtores brasileiros pagam 60%; europeus, 27%, e chilenos e argentinos são isentos


Tipos de vinhos
Pesado. A cada R$ 10 cobrados por uma garrafa de vinho brasileiro, R$ 6 vão para os cofres públicos, com uma carga de quase 60%
 

Açaí diminui colesterol ruim e aumenta o bom, diz pesquisa

Benefícios só valem quando a fruta é consumida sem adição de açúcar


Seja no Norte do país, onde a pasta roxa acompanha um filé de peixe, ou mais ao Sul, com o creme gelado servido com frutas em um dia quente, os brasileiros já se renderam ao açaí e o incorporaram no cardápio. Agora, uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop) descobriu que, além de boa opção de refeição ou de sobremesa, o alimento pode trazer benefícios para a saúde.


A professora da Escola de Nutrição da Ufop (Enut) Renata Nascimento explica que o estudo foi realizado com 42 mulheres saudáveis entre 18 e 32 anos (idade média de 24 anos) orientadas a consumir 200 g da polpa da fruta por dia, durante quatro semanas. Na análise do sangue das voluntárias foi observada a ação da fruta na prevenção da aterosclerose (acúmulo de gordura nas artérias), reduzindo o colesterol ruim (LDL) e aumentando o bom (HDL).
“Em relação ao metabolismo do colesterol, observamos aumento da atividade da enzima paraoxonase, que previne a oxidação de LDL e a redução da concentração de LDL oxidada. Assim, podemos sugerir que o açaí pode auxiliar na redução da oxidação de LDL e prevenir a formação da placa ateromatosa”, afirma Renata.
Consumo. Com um histórico de problemas de colesterol na família e a indicação da nutricionista, a advogada Fernanda Aganetti, 34, diz que passou a consumir o creme cerca de quatro vezes por semana. “Sempre gostei de tomar coisas geladas por causa do calor, então resolvi substituir o sorvete pelo açaí, porque é mais saudável. Eu gosto de praticar esporte e me dá energia”, afirma.
Fernanda conta que o sobrinho Lucca Mendes, de apenas 9 meses, também já aprendeu a gostar de açaí. “Ele experimentou aos 4 meses de idade, e o pediatra não restringiu o consumo. Ele come com outras frutas, mais ralo, e adora”, diz.
SEM Açúcar. Segundo a pesquisadora, o consumo in natura, como ocorre nos Estados do Norte do Brasil, pode ser considerado como um importante componente de prevenção a doenças, mas, se associado a alimentos calóricos e ricos em açúcar, como xaropes, leite condensado e chocolate, o alimento pode ter seus efeitos benéficos neutralizados.
Renata explica que, na verdade, o alimento não é muito calórico. “A polpa congelada contém aproximadamente 90% de água. Considerando isso, o valor calórico de 100 g de polpa congelada tem aproximadamente 70 calorias, o que é equivalente a uma maçã grande ou uma banana média”, afirma.
“Apesar do interesse no açaí, esse é o primeiro estudo feito no Brasil com humanos. Na literatura internacional encontramos dois estudos.”
Renata Nascimento - Professora da Ufop

Próxima fase

2015. Outros grupos da Ufop farão estudos com animais para testar os efeitos do açaí contra uma doença inflamatória, e nova pesquisa irá trabalhar com artrite reumatoide.


Opção saudável
Suco energizante e desintoxicante
Ingredientes: 
100 ml de água de coco, oito a dez morangos, duas colheres de sopa de açaí puro ou em polpa, uma fatia pequena de beterraba, uma fatia fina de gengibre, uma colher de chá de guaraná em pó, uma colher de sopa de mel ou agave, meia folha de couve sem o talo.
Modo de preparo: 
Bater tudo no liquidificador, não coar e consumir na hora.
Fonte: Nutricionista Pâmela Sarkis

Abacate cockteil

Na coqueteleira ou no liquidificador, bata o gelo e todos os líquidos. Acrescente as folhas de coentro. Misture o sal e o chilli e “cruste” a borda da taça, como uma margarita tradicional. Sirva a bebida imediatamente.

INGREDIENTES

50 ml (uma dose) de tequila prata
Meia unidade de abacate
10 ml de xarope de agave
15 ml de suco de limão
4 folhas de coentro
Gelo a gosto
Sal e chilli em pó a gosto

drink

Agave desponta como novo “queridinho” das dietas fitness

Achado em lojas de produtos naturais, planta contém adoçante natural


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Léo do Fonte com sua musse de cacau com agave: delícia sem culpa

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O que emagrece é comer menos, e não cortar gordura, diz estudo

Para pesquisadores, não existem provas que confirmem a eficácia das dietas de restrição de gordura; segredo é reduzir número de calorias ingeridas


salada
Recomenda-se ingerir menos quantidade, porções menores e evitar excesso de gordura e açúcar



Reduzir a quantidade de gordura na alimentação parece ser a dieta óbvia para quem deseja emagrecer, mas um estudo publicado na revista médica "The Lancet" nesta sexta (30) mostra que não é bem assim.
"Não há provas contundentes que sustentem as dietas de redução de gordura", afirma a autora do estudo, Deirdre Tobias, da Escola de Medicina da Harvard University.
Segundo a nutricionista, "por trás da habitual recomendação de reduzir as gorduras – que contêm o dobro de calorias por grama em relação a carboidratos ou a proteínas –, está a crença de que basta reduzir a ingestão de gordura para reduzir o peso naturalmente".
Uma análise detalhada de 53 pesquisas sobre 68 mil casos de adultos – comparando dietas magras com as outras, entre elas a ausência de dieta – demonstra claramente o contrário, quando o objetivo é a redução de peso a longo prazo, ou seja, superior a um ano.
As dietas com redução de gordura se mostraram mais eficazes apenas quando comparadas com a ausência total de dieta.
Segundo Tobias, "a Ciência não sustenta as dietas reduzidas em gordura como a melhor estratégia de perda de peso a longo prazo".
"Para combater eficazmente a epidemia de obesidade", agrega, "precisamos continuar investigando para alcançar essa meta de mais longo prazo e mantê-la, incluindo ver além da composição dos alimentos em função dos macronutrientes, ou seja, a proporção de calorias que provêm das gorduras, dos carboidratos, ou das proteínas".
Dessa forma, o que conta não é reduzir a quantidade de calorias geradas pelas gorduras, mas reduzi-las no absoluto, qualquer que seja sua origem.
"A mensagem que retenho desse estudo é que o que determina a perda de peso é a quantidade de energia que se ingere, mais do que a quantidade relativa de gorduras e carboidratos na dieta", comentou o nutricionista Tom Sanders, do King's College, de Londres.
"Mas é a ingestão total de gorduras e carboidratos que determina a ingestão de energia", completou.
Conclusão para emagrecer: uma caloria é uma caloria. É preciso comer menos quantidade, porções menores e evitar excesso de gordura e açúcar, especialmente em carnes, comidas fritas, pastéis e bebidas açucaradas. 

'O sistema alimentar está falindo', diz chef em livro sobre futuro da comida

Chef Dan Barber posa em Toronto, no CanadáFoto de: Colin McConnell/'Toronto Star'/Getty Images
Qual o limite do trabalho de um chef? 
Para Dan Barber, 46, dono dos restaurantes Blue Hill, em Nova York, ele vai (bem) além da cozinha.
Barber se tornou um dos mais importantes nomes da gastronomia americana atual por pensar além das panelas e por ser ativista-chave do movimento "do campo à mesa", que defende o uso de ingredientes sazonais, de forma integral, cultivados próximos ao local de preparo e de consumo.
O chef-pensador olha o cenário de hoje de modo angustiado. "O atual sistema alimentar está indo à falência", diz. E até a alternativa que ele defende tem seus limites.
Essa foi uma das conclusões de sua pesquisa para o livro "O Terceiro Prato" –publicado em 2014 nos EUA e lançado no final do mês passado no Brasil–, que envolveu visitas a diversos produtores ao redor do mundo.
A outra: há que se mudar a forma como comemos para manter o planeta sustentável, com "uma dieta mais conectada ao que a localidade pode prover". Em outras palavras, encontrar o "terceiro prato" (leia mais sobre o conceito abaixo), um novo paradigma de preparar alimentos.
Por ele, a cozinha no futuro terá que aumentar a conscientização sobre a procedência dos ingredientes, mas também ser um reflexo do que a paisagem fornece.
Uma criação integrada, que leve a sério o manejo do solo e que respeite o tempo e a sazonalidade dos produtos –de forma que restaurantes (e consumidores, donas de casa) sirvam ao agricultor, e não o contrário.
Entrevista entenda o conceito
Folha - Seu livro é dedicado aos rumos que o movimento "do campo à mesa" tomou. O que, afinal, deu errado?
Dan Barber - Eu falo muito do que deu errado, mas gosto de enfatizar o que deu certo também: é um movimento tocado por pessoas que querem estar mais bem informadas sobre o que comem, querem estar mais conectadas à natureza e às pessoas que cultivam sua comida. É claro que eu ainda me identifico com tudo isso.
Mas ao escrever o livro me convenci que esse pensamento não vai longe o suficiente. Isso porque ainda mantém a lógica da prateleira do supermercado, com chefs e consumidores selecionando criteriosamente ingredientes que cobiçam –por vezes difíceis e ecologicamente exigentes. O que precisamos é de uma relação muito mais participativa entre chefs, agricultores e comensais, na qual não haja privilégios a alguns ingredientes e descarte de outros, mas que crie um modelo de comer que reaja à saúde de todo o ambiente.
Essa ideia não é nova: as maiores cozinhas no mundo evoluíram em conjunto com seu ambiente.
O Slow Food fez, recentemente, um festival com ingredientes da Arca do Gosto em restaurantes caros de São Paulo. Um leitor do jornal comentou do risco de tornar esses produtos exóticos, como trufas, em vez de popularizá-los. Você vê esse risco?
É uma crítica que ouço com frequência, e acho que temos que ser sensíveis a ela. Mas há um argumento a ser feito –por mais elitista que ele soe–, de que chefs são como curadores. Todos já vimos o poder que chefs como Alex Atala têm de catalisar tendências de comida que vão reverberando em cada nível da cadeia. Elevar esses ingredientes é muitas vezes o primeiro passo para popularizá-los –o que, por sua vez, cria mais demanda.
Com qual ingrediente já ocorreu isso?
Se você olhar para a recente mania da couve-galega ("kale") nos Estados Unidos –que começou em restaurantes de Nova York e hoje tem até um feriado–, verá evidências da influência dos chefs.
E há exemplos que servem de aviso: eu comecei a cozinhar na era de Paul Prudhomme, cuja receita de vermelho se tornou tão onipresente no país que quase exauriu uma espécie de peixe.
Prato do chef Dan Barber, com ovo de galinha alimentada com pimenta
Tendências como o "do campo à mesa" ainda estão restritas à alta gastronomia. Como torná-las mais populares?
Há uma boa notícia, de que mais pessoas têm demandado mudanças. Na última década, vimos os enormes custos do sistema de comida industrializada –para o meio ambiente e nossa saúde, e que pesam mais em comunidades menos privilegiadas. Dito de maneira simples, nosso sistema alimentar está falindo. Para tornar a boa comida uma realidade para todos, precisamos repensar todo o sistema, do campo ao distribuidor, ao mercado e ao prato.
O que isso significa, na prática? É possível repensar um sistema do zero e alimentar 7 bilhões de pessoas?
Mais e mais estudos têm mostrado que a agricultura diversa e holística –com a integração da produção agrícola e de animais e o manejo correto do solo– é a única maneira possível de alimentar o planeta. Essa agricultura é essencial não só de um ponto de vista ecológico, como também supera, muitas vezes, a produtividade de monoculturas que usam químicos.
Mas não podemos ter um debate sobre o futuro da comida sem falar sobre como comemos. Esse tipo de agricultura não pode ser sustentada se nossas dietas não apoiarem toda a sua diversidade. Ou se mantivermos tendências atuais, de comer mais carne (e só os cortes centrais), usar grãos para produzir ração... Precisamos encorajar as dietas que sejam um reflexo do que nosso ambiente pode prover prontamente. É isso que quero dizer quando descrevo o "terceiro prato".
Orgânicos são caros e difíceis de encontrar; os produtos da agricultura extensiva, cada vez mais baratos e acessíveis. Esses mundos não poderiam unir forças?
Certamente sou a favor de adotar as tecnologias mais inovadoras e modernas. No livro falo de um fazendeiro que, sem itens geneticamente modificados, cria variedades de trigo com mais sabor e funcionalidade –e mais produtividade, também. Esse é um ponto importante, porque comumente nossos ingredientes-fetiche trazem consigo grandes riscos agronômicos, pelos quais acabamos pagando no mercado.
Se quisermos melhorar o custo e a disponibilidade da comida orgânica, precisamos focar variedades que se dão bem no campo. Mas, em certo ponto, quando você começa a falar da economia de escala que faz da agricultura de massa um sucesso, acaba minando os princípios básicos da boa produção e cozinha.
Não levaria muito tempo para recriar todo o sistema? Temos esse tempo hábil?
Na maioria das vezes, isso não vai requerer reinventar a roda. No lugar disso, podemos olhar para as culturas agrícolas tradicionais: todas foram concebidas com um conceito de boa produção. Elas celebravam a diversidade, com grãos, legumes, vegetais, especiarias e pequenas criações de vários animais –uma espécie de abundância com raízes na resiliência ecológica.
*A série "Chef's Table" mostra uma história em que você pede ao produtor uma abóbora menor, para que ela tivesse mais sabor. Você também cita com frequência uma refeição memorável em uma fazenda sustentável de peixes na Espanha. Esses casos têm o sabor como protagonista. No fim das contas, esse é o cerne do trabalho de um chef?*
O papel de um chef deve ser sempre o de perseguir os ingredientes de melhor sabor para seu cardápio. Mas o que eu aprendi é que, se você está perseguindo o melhor sabor possível, está, por definição, procurando a produção manejada da forma correta, na comunidade correta, com a nutrição correta. O trabalho de um chef é mais interdisciplinar do que pensamos.
A relação entre produção sustentável e sabor é um pouco como a do ovo e da galinha, então?
Você não pode olhar para um ótimo ingrediente sem entender a ecologia por trás dele, de onde ele veio. Uma cenoura deliciosa e nutritiva não pode ter vindo de um solo degradado. Como poderia?
O chef Dan Barber trabalhando na cozinha do Blue Hill, em cena de 'Chef's Table'Foto de: Divulgação
Chefs sempre dizem que precisam ensinar e impactar os consumidores. No Blue Hill vocês mostram vídeos, trazem o cozinheiro à mesa para falar com os comensais. Um prato tem sempre que contar uma história? Isso não aumenta o risco de tornar esses movimentos chatos, distantes da realidade cotidiana?
É um equilíbrio complicado, e com o qual tomamos muito cuidado. Não queremos que a comida seja didática, mas acho que as pessoas vêm ao meu restaurante com fome não apenas de comida, mas também da história por trás dela.
Minha esperança é que, pela refeição, os comensais sejam capazes de explorar essas conexões –a relação entre um prato de comida e a terra que o produziu.
O que é e como será a nova gastronomia para você?
Nos últimos anos, a ideia de uma refeição gourmet virou de ponta-cabeça. Muitos dos melhores chefs do mundo não estão mais glorificando ingredientes como caviar e foie gras em seus cardápios –em parte porque essas coisas não são tão interessantes de cozinhar.
Em vez disso, os vemos celebrando vegetais e grãos, criando menus muito específicos da região em que estão. É um jeito mais excitante, mais gostoso, de cozinhar.
E para onde estamos (cozinheiros, a indústria, agricultores e consumidores) indo, em termos de comida?
Acho que os caminhos estão convergindo. Os limites entre chef, agricultor e comensal vão continuar a se confundir conforme nos tornarmos mais envolvidos com a ideia de que a receita da nossa comida começa longe da cozinha. Todos teremos que cooperar para maximizar o sabor, a ecologia e a economia.
Qual o papel de um chef hoje? Seu trabalho é mesmo um pouco quixotesco, como já foi definido?
Eu falo muito sobre o papel do chef hoje –não só porque uso um dólmã, mas porque acho que podemos usar nossa plataforma de influência para agitar a mudança, ajudar a inspirar um novo paradigma na comida.
Mas, é claro, esse movimento tem que ser mais amplo. Vai requerer o envolvimento de fazendeiros, agricultores, cozinheiros, consumidores e formadores de opinião.
Michael Pollan fala da importância de cozinhar e ter refeições em família. Isso pode ajudar nessa transformação?
Cozinhar com frequência e celebrar os prazeres de cozinhar e comer com sua família são, provavelmente, as maneiras mais simples que você tem para ajudar a construir um sistema alimentar melhor.
Há, no mundo, dezenas de programas e reality shows gastronômicos. Eles podem ajudar de alguma maneira?
Qualquer coisa que encoraje as pessoas a cozinhar é um passo adiante. Mas não acho que seja possível ensinar uma pessoa a verdadeiramente cozinhar sem ensiná-la sobre a proveniência dos ingredientes, a história do que está no prato. Precisamos de mais gente (chefs, escritores, pensadores) para dizer esse tipo de história sobre nossa comida.
Você acredita que as donas de casa pelo mundo poderão, um dia, preparar esse "terceiro prato" que você imagina?
Pelo rumo da agricultura, isso vai ter que acontecer nos próximos 50 anos. Conforme recursos naturais como água fresca e combustíveis baratos desaparecerem, vamos ter que mudar a estrutura de como cultivamos e consumimos comida.
Isso significa mais diversidade e menos adição de químicos às nossas fazendas. Significa dietas mais conectadas ao que a localidade pode prover. Chefs podem ter o papel de fazer essa transição mais gostosa.
O TERCEIRO PRATO
AUTOR Dan Barber (tradução de Ana Deiró)
EDITORA Bicicleta Amarela
QUANTO R$ 59,50 (480 págs.)
SOBRE O TERCEIRO PRATO
O título do livro tem origem em um desafio que o chef recebeu, de uma revista especializada: imaginar qual seria o prato do americano médio daqui a 35 anos.
Ele respondeu à pergunta com uma linha do tempo da história alimentar dos Estados Unidos: no passado, o "primeiro prato" tinha um bife de um boi criado confinado e alimentado com ração, acompanhado de cenouras no vapor.
Hoje, com a influência de movimentos como o "do campo à mesa", poderíamos esperar algo mais consciente: que nos servissem um bife de boi criado solto no pasto com minicenouras cultivadas em solo orgânico por um produtor de uma região próxima.
O "terceiro prato" seria constituído de um "bife" de cenoura com um molho de lascas de carne. Não porque estivéssemos condenados a um futuro de carne em extinção ou a uma ditadura dos vegetais, mas por uma inversão de paradigmas.